A Forma da Água – Flutuando entre a Fantasia e a Realidade

A Forma da Água (Shape of Water, 2017 – Original), lançado recentemente nos cinemas brasileiros, é um filme de ficção científica/romance dirigido pelo mexicano Guilhermo Del Toro, responsável também pelos filmes O Labirinto do Fauno, HellBoy e Círculo de Fogo.

A Forma da Água

Chega ao público prometendo uma história de amor fora do comum, com nuances de conto de fadas, drama e a expectativa de um grande filme que contou com indicação à 13 Oscars, saindo vencedor de 4 deles: Melhor Direção de Arte, Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Diretor e Melhor Filme.

Sally Hawkins e Doug Jones

Emerge da tela, a narração de Gilles (Richard Jenkins) como uma bela fábula na década de 60 em plena Guerra Fria. Somos apresentados à Elisa (Sally Hawkins) em seu pequeno apartamento acima de uma sala de cinema, fato muito importante no decorrer da trama.

Logo de início descobrimos que Elisa é muda e que sua vida pacata se resume a uma rotina doméstica, como assistir programas e musicais de TV com seu amigo e vizinho Gilles, um pintor fracassado que vive de pequenos bicos. Elisa trabalha também como faxineira em um laboratório do Governo dos EUA, onde temos o parâmetro da sociedade da época, bem como o papel da mulher no mercado de trabalho ocupando cargos sexistas. Uma outra questão de bastante influência no filme é a segregação racial contra a comunidade negra e latina, representada por Elisa (por ter sobrenome e traços latinos) e sua amiga Selma (Octavia Spencer). Durante o filme são abordados vários esteriótipos da época, criando inúmeras barreiras para o desenvolvimento profissional das personagens.

Outro destaque no elenco é Michel Shanon no papel de Strinckland, um oficial do exército do laboratório em que Sally e Selma trabalham. Strickland é um homem de poucas palavras e temperamento forte, o que nos faz ter uma noção do clima da Guerra Fria e corrida espacial. Shanon cria um monstro, entregando um dos melhores vilões do ano que raramente nos mostra seu lado humano.Uma noite, Elisa se depara com a Criatura ou a Forma (Doug Jones), trazida da América do Sul por Strickland. Mostrando a essência do filme, vemos então o encontro de duas realidades e o choque delas, uma aproximação muito profunda entre Elisa e a Forma, por meio de ovos, pequenos gestos, regados à música e uma das mais belas história de Hollywood.

Sally Hawkins, indicada ao Oscar de Melhor Atriz.

Sally Hawkins surpreende como Elisa, uma protagonista diferente dos padrões de Hollywood, conseguindo transmitir a beleza, sutileza e toda carga sentimental da personagem, fazendo o espectador se encantar por ela, criando um fascínio.

Sally nos entrega uma “princesa” destemida, sonhadora, meiga e com personalidade. Sua química com Doug Jones, figura carimbada nos filmes de Del Toro, é incrível, muita sintonia sem entonar nenhum diálogo entre os personagens.

Adentramos na paixão particular de Del Toro por monstros, dramas humanos e principalmente pelo cinema, exibindo isso em alguns momentos no filme, tanto na televisão como em pensamentos de Elisa. Acertando em cheio no roteiro, com colaboração de Vanessa Taylor, com uma trama bem desenvolvida, o ritmo do filme não se quebra em nenhum momento.

Outro destaque é a fotografia com tons que mudam à medida que a trama avança, além dos pequenos detalhes de Del Toro, como saber as emoções de Elisa através de seus sapatos.

Guilhermo Del Toro.

A Forma da Água é um conto de fadas para adultos com um grande toque de fantasia, sem deixar de lado conflitos e reflexões sobre a sociedade, além de muita sensualidade, o que fascina qualquer um.

Além dos prêmios no Oscar,  Leão de Ouro e do Globo de Ouro de melhor Diretor, o filme de Guilhermo Del Toro surpreende com seu mundo particular, onde nos faz querer acreditar no fantástico, do surreal em nosso mundo.

Henrique Serrão

Desenvolvedor, Desenhista e Escritor nas horas vagas! Apaixonado por literatura, quadrinhos, mangás, animações e cinema clássico.Ouvinte do Chamado de Cthulhu e Futuro Soberano da Latvéria!!