Minas Gerais. Madrugada do dia 13 de novembro de 2016. Eu estava na primeira edição da Campus Party na região, procurando o que fazer para aproveitar o último dia do evento.

Eis que vejo em minha frente um grupo de pessoas conversando e rindo.

Havia alguns robôs também (eles não estavam conversando e rindo, só para deixar claro). Aproximei-me da mesa e sentei.

Logo, um dos participantes da roda elogiou minha atitude e começamos uma conversa.

Ela (a conversa) foi interrompida por um rapaz eufórico, que passava chamando as pessoas para um bate-papo sobre programação.

Funcionava da seguinte forma: você fazia uma pergunta sobre alguma linguagem que achasse que ninguém iria responder. Se ninguém respondesse, você ganhava um adesivo. Caso contrário, o adesivo era de quem acertou.

O desafio de um impaciente

Ficamos nessa brincadeira por aproximadamente uma hora e, depois de eu ter conseguido dois belos prêmios, fomos interrompidos por um menino de 16 anos, impaciente, que pediu para que conversássemos sobre educação. Foi aí que a coisa ficou séria.

Conversa vai e vem, tivemos muitas ideias para ajudar jovens em situação de miséria por meio da tecnologia.

Eu fui a pessoa a pegar o computador e começar a documenta-las. Mas, no fundo, imaginava que seria mais um documento que eu encontraria perdido em meio as pastas do computador, questionaria a utilidade daquilo e excluiria.

Eu estava enganada. Mais uma vez, o garoto de 16 anos se incomodou e pediu para que colocássemos aquilo em prática.

Foi aí que começou, com um tempo cronometrado de uma hora, e os times divididos.

Ok, agora temos um protótipo, o que podemos fazer com ele?

Chamamos uma jovem que estava na limpeza do evento para que ela testasse.  Depois de ver lágrimas nos olhos da garota quando viu o que havíamos acabado de fazer, eu decidi que iria dedicar o tempo que precisasse naquilo.

Educação Livre

Educação Livre

Foi aí que tomei conhecimento do projeto Educação Livre e descobri que aquele menino de 16 anos era um dos embaixadores e toda aquela impaciência dele era proposital.

O que pretendemos com o Educação Livre (e eu me incluo nessa porque hoje também, felizmente, faço parte do projeto) é resgatar jovens de baixa renda, que não têm dinheiro para ter educação e nem educação para ter dinheiro, por meio de uma plataforma educacional.

Entendo que você deve estar pensando que plataformas educacionais existem aos montes, mas qual delas usa a trilha de conhecimento para conectá-lo diretamente a uma vaga de emprego?

Isso mesmo!

Uma determinada empresa tem vagas, mas precisa que seus empregados saibam no mínimo x, y e z. Nós ofertaremos o conhecimento x, y e z. E não estamos falando de conhecimentos técnicos, mas da diferença entre um sapato e um par de sapatos, que indiscutivelmente pode causar confusão na hora de fazer pedido em uma loja de calçados.

O Educação Livre propõe olharmos para as necessidades mais urgentes do nosso país e saná-las.

Nós, do meio da tecnologia da informação acreditamos que ensinar um jovem a programar ou a mexer com uma placa de arduino pode ser libertador.

Mas, antes, precisamos ensiná-lo a diferença entre nacionalidade e naturalidade, caso contrário, no momento em que ele for preencher uma ficha quando estiver procurando um emprego, ou estiver fazendo o cartão do SUS, ele se sentirá constrangido e incapaz.

Saber da realidade desses jovens com o Educação Livre foi libertador para mim e sempre quando eu falo do projeto para alguém discorro sobre essa mesma realidade e as pessoas também ficam surpresas.

Seria maravilhoso se dedicássemos 5 minutos das nossas 24 horas diárias para olharmos para as necessidades urgentes dos jovens brasileiros.

Sobre quem escreve

Colunista

Estudante de Engenharia da Computação pela Universidade Federal de Itajubá, apaixonada por empreendedorismo, educação, programação e tudo que você me apresentar e que eu adquira alguma noção.

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