Imagem de população utilizando smartphones

Acesso À Praça de São Pedro no Vaticano em 2005 e 2013 – Fonte: BBC

O que é nuvem, afinal de contas (além de um acúmulo de gotículas de água suspensas na atmosfera)?

Esta nuvem não possui água nem faz chover, mas é feita de bits, bytes, if’s, else’s, estrutura de dados, estrutura de computadores e veio para ficar. Já se tornou imperativo de mercado, ou seja, quando todo mundo começa a fazer, não há mais volta.

A ‘nuvem’ é fruto tanto da evolução tecnológica que diminuiu os custos e aumentou a capacidade  de computadores quanto, principalmente, do avanço da Internet. Esta arquitetura está motivando a criação de novos modelos de negócios e transformando velhos modelos de muito sucesso, mas que correm risco de ter apenas seu legado no futuro.

A origem da nuvem é imprecisa, mas um dos seus idealizadores, Marc Benioff, ainda em 1999, fundou a Salesforce em seu apartamento com um servidor sob sua mesa e o seguinte mantra na cabeça: realizar “O fim do software®”.

https://www.youtube.com/watch?v=05Ua4leMqEo

O mantra de Bennioff  já está se tornando real e em grande escala. Um dos claros sinais é o uso do termo “aplicativo” e não mais “software”. Você sabe por quê?

A nuvem está redefinindo tendências históricas de mercado e quebrando paradigmas. Não existirão mais versões de softwares, por exemplo. Todo dia haverá uma versão nova e atualizada sem que você interaja, pois ela não está sendo renovada no seu hardware, mas sim, na nuvem. Quando você acessar a aplicação, tudo já estará atualizado. Exemplo: Qual a versão do Facebook?

Pessoa usando smartphone

Com a experiência da mobilidade, o usuário não precisa entender de informática. Fonte: Unsplash

O Windows 10, possivelmente, será o último S.O. da Microsoft vendido, e com um número o identificando. A própria Microsoft está vendo que seus softwares serão gratuitos e que, dispositivos deverão ser oferecidos prontos para uso, sem necessidade de instalar sistemas, segurança, etc. Talvez, por isso ela tenha lançado seu primeiro computador neste segundo semestre, o Microsoft Surface.

Nuvem que só não faz chover

Seus benefícios vão além do simples storage de dados, como oferecem os serviços de armazenamento Box, Dropbox, Google Drive, One Drive, SugarSync e Amazon Cloud Drive.

Onde está seu e-mail do Gmail? Onde está sua time-line no Facebook? Onde está sua PSN do seu Playstation e o Xbox Live do seu Xbox? Onde está o processamento da arquitetura cliente servidor?

pessoa jogando vídeo game

Utilizamos a nuvem mais do que imaginamos. Fonte: Flickr

Inovações atuais como Google Maps, WhatsApp, Spotfile, Airbnb, Uber… Onde fica o Uber? Onde ele está rodando? Onde o Google faz a busca? No seu celular? No seu computador? No seu octa-core novo?

A primeira resposta seria: “no servidor destas empresas, é claro!”

Daí partimos para o próximo exemplo:

Como o pessoal que vendeu ingressos pro Rock’n Rio se estruturou para esta ocorrência gigantesca? Isto exigiria uma enorme estrutura para receber todos os pedidos de ingressos, em um curto período de tempo. Pra piorar, depois dessa enorme demanda, os acessos simplesmente desapareceriam e só voltariam dali um ano.

Eles compraram centenas de servidores e depois guardaram para o próximo ano ou doaram para a caridade?

Felizmente, eles não fizeram isso, pois usaram a nuvem. Bastou clicar e pedir mais servidores na medida que a demanda por ingressos crescia. Assim, mais estrutura era agregada para suprir sua necessidade, sem deixar o sistema cair por aumento de acessos. Depois de tudo, bastava manter o sistema operando com a capacidade mínima até o encerramento do evento.

Não há limite de capacidade de processamento. Se existe uma tarefa que precise rodar em uma máquina que leve 30 minutos para ser processada, na nuvem, essa tarefa é repartida para quantas máquinas você definir e daí a operação pode ocorrer em 10 centésimos de segundo.

hacks de servidores em datacenter

Microsoft Azure – nuvem da Microsoft possui mais capacidade computacional que o mundo todo em 1999. Fonte: commons.wikimedia.org

Para se ter uma ideia de capacidade e custos do uso da nuvem, leia aqui mais sobre o Microsoft Azure que é o serviço de nuvem da Microsoft.

Modelos de serviços oferecidos

Existem três tipos de nuvem:

  • Estrutura como serviço (IaaS – Infrastructure as a Service);
  • Plataforma como serviço (PaaS – Platform as a Service);
  • Software como serviço (SaaS – Software as a Service).

Na “Estrutura como serviço” a infraestura oferecida é apenas o servidor. Quem contrata este serviço precisa instalar SO, aplicativos, se preocupar com a queda do sistema quando este sistema não está dentro da sua empresa, etc.

Devido a estas limitações surgiu a “Plataforma como serviço”, onde além da infraestrutura física, o servidor é oferecido pronto para uso, funcionando com todos os aplicativos e sistemas necessários. O cliente só precisa programar seu aplicativo.

Na nuvem que oferece Software como serviço, o cliente precisa entrar apenas com sua ideia. Um profissional como contador pode oferecer um serviço de contabilidade por aplicativo, ou um taxista que cria um aplicativo específico para oferecer serviço da sua cooperativa, etc. Uma equipe irá montar, a partir de blocos pré-existentes, um pacote de software que irá atender suas necessidades.

O que muda para os profissionais de TI?

Na nuvem, o programador não precisa se preocupar onde o programa irá rodar. Ele só precisa pensar se o cliente estará conectado ou não. Se sim, o aplicativo roda. Mas se não estiver, basta uma mensagem de off-line e o aplicativo para até o usuário conseguir sinal. Tudo isso usando os mesmos if’s e else’s.

iamgem de pessoa programando

Profissionais de TI serão mais requisitados para criar para a nuvem

Imagine um programador que acordou inspirado e criou uma aplicação de celular pra rodar em Android, Windows Phone, IOS, etc. Ele teve de se preocupar com software, sistemas operacionais, segurança, servidores e etc.? Não. Ele apenas criou o código, subiu para a nuvem e definiu quantas máquinas ele queria que ficassem dedicadas em um clique.

Caíram alguns paradigmas para o DBA (administrador de banco de dados). Por exemplo, Big Data está sendo utilizado não-desnormalizado, sem índice. Existe espaço e processamento suficiente para a busca correr todos os dados e fazer a procura sem necessidade de que haja endereço de cada dado. Está tudo na nuvem, basta pegar o que você quer.

Analista de negócio: irá criar soluções a partir de blocos pré-programados para atender seus clientes de forma rápida e eficaz. Ele irá clicar e arrastar, habilitar, desabilitar e oferecer a solução pronta.

Designers de interfaces seguirão analisando o melhor layout, cores e posições para atender as demandas personalizáveis e inúmeros aplicativos que serão criados e aperfeiçoados.

Sobre quem escreve

Colunista

39 anos, Engenheiro Mecatrônico, Uber Partner e estudante de Análise e Desenvolvimento de Sistemas na Fatec São Paulo. Curto esportes, games, internet, animais e meus amigos.

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