O mercado de games não reparava no público feminino, até algum tempo atrás toda a atenção era voltada apenas para o público jovem masculino. Foi somente a partir da metade dos anos 90 que, preocupados em manter o crescimento dos games, os fabricantes de jogos sacaram que estavam perdendo muitas vendas ignorando o público feminino e o público adulto em geral. Mas, algo que eles não perceberam também era o preconceito contra as jogadoras.

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Mulheres preferem jogos de enigmas

Pesquisas revelam que os gostos por games são bem diferentes entre homens e mulheres. Elas preferem jogos que tenham mais relacionamento social, criatividade e soluções de enigmas do que clássicos com violência e conquista de território.

Mas, além desses gêneros, elas gostam também de games de futebol, de luta, de ação e outros estilos onde quem ainda domina são os homens. As mulheres gamers não têm frescura e encaram todos os gêneros, sem medo.

Por que o público feminino ainda sofre preconceito?

Preconceito contra jogadoras é coisa de ignorantes. Videogame é coisa de menina sim e existem estudos no Brasil que provam isso!

Segundo a pesquisa Game Brasil 2016, divulgada em março desse ano, as mulheres já representam 52,6% do público que joga games no Brasil.

O número de mulheres no mundo dos videogames vem crescendo bastante nos últimos anos. Segundo um levantamento feito pela consultoria Sioux, em 2014 as mulheres já representavam 47% dos fãs de videogames. Uma nova pesquisa foi feita e, segundo os resultados divulgados nesta quarta-feita (16), as mulheres brasileiras representam 52,6% do público gamer no Brasil.

“No ano passado já havia o indicador de que as mulheres brasileiras superariam os homens no mercado de jogos em um curto espaço de tempo e isso se concretizou. Porém, o tempo que elas jogam é menor do que o do sexo oposto e o estilo de jogos que elas preferem também caracteriza um comportamento mais casual”, diz em nota Guilherme Camargo, CEO da Sioux.

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Porcentagem de jogadoras

Apesar de estarem bem presentes no mundo dos games as mulheres ainda sofrem bastante preconceito com isso. As mulheres que jogam online, por exemplo, costumam receber vários tipos de xingamentos.

Por que ainda existe preconceito contra jogadoras?

Dados comprovados mostram que é muito comum ocorrer preconceito contra jogadoras em fóruns e jogos online. Em uma entrevista para O Tempo, a empresária Glenda Maciel, que joga desde os 8 anos, diz que há dois comportamentos padrão de machismo nesse ambiente.

“Alguns homens automaticamente dão em cima de você sem saber absolutamente nada sobre a sua personalidade. Outros acham que você não joga sério e presumem que você é ruim, ou que está jogando para agradar ao namorado. E quando você não dá corda para eles, é automaticamente xingada”, conta ela.

Um exemplo comum de aversão às mulheres vem de homens que acham que o gênero é fator determinante para a competência em jogar, sim, eles acham que por serem homens jogam mais/melhor que mulheres.

Os machistas, geralmente, duvidam das habilidades da jogadora. Quando tentam fazer alguma gracinha e são ignorados, temos as tradicionais reações de rejeição,  quando eles usam nomes pejorativos para agredir (até minha mãe entrou na história e ela não tinha nada a ver com isso).

Digo isso por experiência própria, pois quando jogo online e não dou bola para os meninos eles começam a xingar o que é extremamente desconfortável, mas eu simplesmente ignoro.

O preconceito contra as mulheres vai além de xingamentos, há casos mais graves nos quais as mulheres são ameaçadas de morte e estrupo.

Um episódio ocorrido nos EUA mostra quão hostil é o ambiente de jogos online: a desenvolvedora Zoe Quinn recebeu ameaças, foi agredida e acusada de ter traído o namorado, depois de ter lançado um jogo chamado “Depression Quest”, que trata a experiência dela com a depressão.

Porém, da mesma forma que existe o machismo/preconceito, há também muitas pessoas que apoiam que as mulheres joguem videogames.

 Assassin’s Creed: Syndicate

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Evie Frye – Assassin’s Creed Syndicate (Foto: DIVULGAÇÃO)

A franquia Assassin’s Creed se envolveu em uma polêmica depois que o diretor criativo da produtora Ubisoft afirmou que não tinham mulheres como personagens principais por ser muito caro o custo de produção. Logo depois dessa declaração, a empresa foi a público prometendo personagens femininos fortes. E isso aconteceu no novo lançamento de AC: Syndicate, em que os protagonistas são dois irmãos: Jacob Frye e sua irmã gêmea Evie Frye.

Para pensar…

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Não basta ter várias mulheres jogando videogame, é preciso ir além disso, os jogadores precisam mudar seu pensamento e aceitar que qualquer pessoa tem o direito de jogar sem julgamentos. E claro, não só os jogadores precisam começar a pensar diferente, a indústria de jogos também precisa mudar e começar a pensar em games para todas as pessoas, não somente para um público específico.

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